A Caatinga cobre cerca de 850.000 Km2, que representa cerca de 11% do território brasileiro. A Caatinga ainda é um ambiente pouco amostrado, sendo sua riqueza ainda muito subestimada. Para a herpetofauna, atualmente estão descritas para este bioma cerca de 173 espécies, sendo 47 de lagartos, 10 de anfisbenídeos, 52 de serpentes, 10 de quelônios, 3 Crocodylia, 48 anfíbios anuros e 3 Gymnophiona. Ainda, esses números devem aumentar muito, uma vez que 40% do Bioma nunca foi investigado, e 80% permanece sub-amostrado. A biota da Caatinga tem sido descrita na literatura como pobre, abrigando poucas espécies endêmicas, sendo portanto de baixa prioridade para preservação. Entretanto, estudos recentes tem mostrado uma realidade extremamente diferente. Apesar disso, estima-se que cerca de 30% de toda a área da Caatinga é coberta por áreas agrícolas, e levando-se em conta outros distúrbios, a área alterada pelo homem na Caatinga pode passar de 50%. Mesmo com todo este grau de ameaça, a Caatinga ainda é pobremente representada em unidades de conservação, sendo apenas 3,56% do bioma legalmente protegido por unidades de conservação federais, e destas, apenas 0,87% em unidades de proteção integral. Apesar da sistemática e da taxonomia serem a base para o estudo da biodiversidade, até recentemente a contribuição dessas disciplinas para a biologia da conservação esteve aquém das possibilidades. A conservação das espécies não é suficiente para a manutenção da diversidade biológica. O reconhecimento de populações como unidades biológicas para conservação envolve a distinção entre a existência de uma estruturação genética antiga ou recente. A análise filogeográfica a partir do DNA mitocondrial permite estabelecer uma relação entre a diversidade de espécies e a variação genética intraespecífica. Poucos estudos filogeográficos foram conduzidos na Caatinga. Ainda, o Bioma carece de informações ecológicas e revisões sistemáticas de espécies do mesmo. Estes estudos tornam-se necessários para formular uma biogeografia histórica do bioma, bem como para produzir subsídios para a preservação do mesmo. Os poucos esforços na amostragem, associados ao conjunto de grupos que claramente compreendem complexos de espécies ainda contribuem para que a biodiversidade desse bioma seja subestimada. O objetivo deste projeto é realizar análises biogeográficas e filogeográficas de grupos seletos da herpetofauna da caatinga. Ainda, avaliar o tamanho, a estrutura e organização da área de vida, assim como suas possíveis variações sazonais, em indivíduos de duas espécies de lagartos, Tropidurus hispidus e Cnemidophorus sp.,; realizar um estudo do estudo do complexo cefálico osteológico da espécie Thamnodynastes pallidus da Paraíba e da diagnose da espécie através da osteologia craniana; examinar e entender as relações miméticas das serpentes corais e dos viperídeos em diferentes ambientes da Caatinga Nordestina; avaliar a importância de cupins na dieta de lagartos da Caatinga, testando a hipótese proposta por Costa et al. (2008) de que em ambientes áridos cupins são um recurso fundamental para a fauna de lagartos.